O Brasil impulsiona a dinâmica econômica e comercial da América Latina

01/08/2025Temas Nacionais
O Brasil impulsiona a dinâmica econômica e comercial da América Latina

O Brasil lidera o desenvolvimento econômico e comercial da América Latina, com o comércio sino-brasileiro continuamente aprofundado. Explore as vantagens do Brasil como o maior país comercial da América do Sul, o plano de expansão do Porto de Santos e as novas oportunidades de cooperação bilateral.

O desenvolvimento econômico do Brasil é próspero e tem uma influência significativa na América Latina, desempenhando um papel crucial no comércio internacional da região. Além disso, o Brasil possui vastas terras agrícolas de alta produtividade, sendo um grande exportador de produtos agrícolas no mundo. Ao mesmo tempo, o país tem uma população grande, com renda per capita em nível médio, sendo o maior mercado consumidor da região. Esses fatores econômicos fazem do Brasil o maior país comercial da América do Sul.

As relações entre o Brasil e a China estão cada vez mais estreitas. Para apoiar o crescimento contínuo do comércio bilateral, o Brasil precisa expandir a capacidade de sua indústria logística. Em 2024, marcando o 50º aniversário das relações diplomáticas entre Brasil e China, os dois países assinaram 37 acordos bilaterais, refletindo o compromisso de fortalecer os laços econômicos e a cooperação em áreas como comércio, investimentos, agricultura, indústria, energia, mineração, finanças e outros. Diante das tensões geopolíticas entre China e EUA, a China está buscando ampliar suas parcerias comerciais para mitigar riscos de interrupção na cadeia de suprimentos e expandir seu mercado na América Latina.

Para promover o desenvolvimento comercial, é essencial melhorar a logística, tornando as cadeias de suprimentos bilaterais mais estáveis e resilientes. O Porto de Santos, o maior porto do Brasil, está implementando uma série de medidas de otimização, incluindo expansão do porto, modernização da infraestrutura e adoção de tecnologias avançadas para aumentar a eficiência operacional, visando aumentar a capacidade de lidar com mais importações e exportações internacionais.

A equipe de pesquisa econômica e comercial do Hong Kong Trade Development Council (HKTDC) realizou recentemente uma visita ao Brasil para entender a situação e as características do comércio internacional do país, coletando informações de primeira mão sobre os desenvolvimentos mais recentes do Porto de Santos por meio de entrevistas com empresas locais e a administração do porto.

Portal estratégico robusto e confiável

O Brasil adota uma política externa multilateral, mantendo uma posição equilibrada e estável no cenário internacional multipolar. O Brasil é membro do grupo comercial BRICS, do Mercosul e do G20, sendo um portal estratégico para mais de 200 países, com presença tanto em mercados regionais quanto globais.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, em 2024, o volume total de comércio do Brasil atingiu US$ 599,9 bilhões, com exportações de US$ 337 bilhões e importações de US$ 262,9 bilhões.

Outro país latino-americano, o México, depende fortemente dos EUA em termos econômicos e comerciais, enquanto o Brasil tem parcerias comerciais mais diversificadas. Em 2024, o Brasil exportou 42,8% (US$ 144,3 bilhões) de suas mercadorias para países asiáticos, enquanto as importações da Ásia representaram 28,7% (US$ 966 bilhões) do total. Entre todos os parceiros comerciais do Brasil, a China continental lidera, com 28,0% das exportações e 24,2% das importações, seguida pelos EUA. O Brasil também mantém relações comerciais frequentes com países europeus, como Alemanha e Holanda, e conecta os vizinhos latino-americanos ao mundo.

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O Brasil é rico em recursos naturais, com vastas terras férteis adequadas para agricultura e pecuária, além de grandes reservas de minérios como minério de ferro, bauxita, ouro e nióbio. Os minerais são uma parte importante das exportações brasileiras, representando 27,7% (US$ 93,3 bilhões) do total em 2024, seguidos por produtos vegetais (19,9%). O Brasil se posiciona como uma potência agrícola global, exportando uma variedade de produtos agrícolas para o mercado internacional.

Nas importações, os produtos industriais têm maior participação, com máquinas e equipamentos, dispositivos elétricos e suas partes representando 27,4% (US$ 72,1 bilhões), seguidos por produtos químicos ou industriais relacionados (20,6%).

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Olhando para o futuro, o cenário geopolítico e as tensões comerciais permanecem incertos, mas o Brasil, com sua política externa aberta, é visto como um parceiro comercial confiável pelos governos globais.

Localização privilegiada do Porto de Santos

O Porto de Santos é o maior e mais movimentado porto do Brasil, lidando com cerca de 28% do comércio exterior do país. Sua localização estratégica, conectada a uma extensa rede de rodovias e ferrovias, o torna um canal vital para o comércio de produtos agrícolas e industriais do Brasil.

Localizado a apenas 70 km da cidade de São Paulo, o Porto de Santos é uma pedra angular estratégica da cadeia logística nacional. As regiões próximas do Centro e Sudeste, incluindo o estado de São Paulo (onde o porto está localizado), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Distrito Federal (capital Brasília) e Goiás, são centros de atividades agrícolas, industriais, comerciais, financeiras e de consumo, reforçando a importância do Porto de Santos.

O Porto de Santos lida com as importações e exportações do Brasil, principalmente para e da Ásia. Em 2024, o porto processou cerca de US$ 46 bilhões em exportações para a Ásia e US$ 33 bilhões em importações asiáticas. A Europa ficou em segundo lugar, mas o volume total de comércio foi apenas metade do asiático.

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Em 2024, o Porto de Santos processou mais de 179,8 milhões de toneladas de carga (um aumento de 3,8% em relação a 2023) e 5,4 milhões de contêineres TEU (crescimento de 14,7%). Mais da metade das exportações do porto são cargas a granel, principalmente soja e açúcar. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que produtos como algodão (cerca de 96%), café em grão (76%) e açúcar (72%) são exportados pelo Porto de Santos. Por outro lado, o porto importa principalmente cargas gerais, com veículos e peças representando uma parcela significativa.

Novos projetos para aumentar a capacidade logística

Em comparação com outros países latino-americanos, o Brasil recebe mais atenção no cenário internacional, o que exige melhorias em sua infraestrutura logística. Dada a importância do Porto de Santos para o desenvolvimento econômico do Brasil, o porto tem investido ativamente em atualizações de hardware e software para aumentar a capacidade e eficiência logística.

De acordo com o Plano de Desenvolvimento Zonado 2020-2040, o Brasil estabeleceu metas para o Porto de Santos, visando dobrar a capacidade de movimentação de 97,2 milhões de toneladas para 240 milhões de toneladas até 2040, além de adicionar sistemas de transporte inteligentes, canais mais profundos e otimizar instalações de armazenamento de caminhões. O plano está dividido em fases, incluindo a construção de um novo terminal dedicado a produtos agrícolas (STS11) entre 2023 e 2026, aumentando a capacidade de 3 milhões para 14 milhões de toneladas.

O plano também destaca o desenvolvimento do terminal de contêineres Tecon Santos 10 (STS10) nos próximos anos, com licitação prevista para outubro-novembro de 2025. O STS10 terá quatro novos berços, aumentando a capacidade de contêineres em 50%, de 6 milhões para 9 milhões de TEUs por ano.

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O Brasil planeja dobrar a capacidade do Porto de Santos para 240 milhões de toneladas até 2040. (Fonte: Autoridade Portuária de Santos)

Inovação tecnológica no porto

Além da expansão da infraestrutura, outro foco do Porto de Santos é a inovação tecnológica para melhorar eficiência e produtividade. Em 2021, a Autoridade Portuária de Santos lançou o plano estratégico 'Nape da Inovação', que reúne academia, terminais portuários, instituições de pesquisa e governo para impulsionar avanços em operações portuárias e logística. O programa visa promover inovações em rastreamento de carga em tempo real, automação, sustentabilidade, segurança e eficiência energética.

Diferente de incubadoras e aceleradoras, o Nape da Inovação oferece suporte técnico, não financeiro, para startups. As empresas participantes têm acesso a dados portuários, como status de berços em tempo real, movimentação de navios, condições climáticas e operações de terminal, além de expertise técnica e oportunidades de divulgação. O programa também facilita acordos entre startups e outras partes interessadas do porto, servindo como um 'sandbox' para testar soluções inovadoras antes do uso comercial.

O Nape da Inovação já ajudou startups a expandir para além do Brasil. Um exemplo é a i4sea, startup brasileira de previsão do tempo, que estabeleceu parceria com o Porto de Roterdã, na Holanda. A i4sea é especializada em tecnologia marítima inteligente, com soluções baseadas em dados para otimizar operações portuárias e logística marítima. Em 2022, a i4sea assinou um acordo técnico com o Porto de Santos para desenvolver sua ferramenta de avaliação i4cast, que fornece previsões de tempo e condições marítimas por até 90 dias, ajudando no planejamento de chegadas, partidas e alocação de berços. A plataforma i4cast foi posteriormente introduzida em outros portos brasileiros e no Porto de Roterdã. O Nape da Inovação também está aberto a startups internacionais.

Aproveitando a rede BRICSA crescente complexidade geopolítica e as tensões comerciais globais transformaram o Brasil em um aliado comercial estável e confiável. A vantagem única do Brasil é sua política externa flexível, capaz de se adaptar a diferentes sistemas políticos. O Porto de Santos, principal porto do país, tem trabalhado para desenvolver infraestrutura física e sistemas tecnológicos, aumentando capacidade logística, reduzindo gargalos, custos de transporte e promovendo o comércio internacional.

Em 2024, China e Brasil se comprometeram a fortalecer ainda mais as relações econômicas, aprofundando a cooperação em comércio, investimentos, finanças, tecnologia, sustentabilidade, turismo, inteligência artificial e saúde. Para tornar as cadeias de suprimentos bilaterais mais estáveis e resilientes, é crucial melhorar a eficiência logística. Vale destacar que o Brasil exporta soja, minério de ferro, carne bovina de alta qualidade, frutas e café para mercados globais, incluindo a China, o segundo maior mercado consumidor do mundo.

O fortalecimento dos laços econômicos entre China e Brasil abre oportunidades para Hong Kong atuar como um 'superconector' entre os dois países. Com sua rede diversificada e serviços profissionais de alta qualidade, Hong Kong pode facilitar a integração dos mercados chinês e brasileiro. Por exemplo, no setor logístico, uma empresa de Hong Kong tem representantes no Brasil desde 2013, cobrindo aeroportos e portos, enquanto outra empresa de entrega rápida iniciou operações no Brasil em 2019, expandindo para 17 cidades até junho de 2025.

Esses exemplos mostram que o Brasil é um mercado promissor para empresas de Hong Kong. Muitas empresas já estão presentes no setor logístico brasileiro, oferecendo uma porta de entrada de baixo risco para outras empresas de Hong Kong. No futuro, as relações China-Brasil se aprofundarão, e Hong Kong terá um papel ainda maior em promover a cooperação econômica e comercial entre Brasil e Ásia, construindo um futuro próspero.

Fonte da pesquisa: HKTDC Research

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