Presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, Dilma Rousseff: Advocando por uma Nova Ordem Global de Finanças Sustentáveis

17/07/2025Dinâmica do mercado
Presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, Dilma Rousseff: Advocando por uma Nova Ordem Global de Finanças Sustentáveis

Presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, Rousseff, pede por uma nova ordem de finanças sustentáveis, destacando a experiência chinesa em transição energética e cooperação com o Sul Global, promovendo modelos inovadores de desenvolvimento e reforma do financiamento internacional.

Fonte: Guancha

[Texto/Guancha Xu Zhe] No dia 9 de julho, horário local, a "Cúpula do BRICS sobre Sustentabilidade e Transição Energética" foi realizada com grande pompa na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Brasil. O evento foi oficialmente organizado pelo BNDES, com o apoio crucial de parceiros colaboradores como o site de notícias Brasil 247 e o Guancha.

Como um importante fórum paralelo à cúpula do BRICS, esta cúpula focou em temas como a autonomia das regras energéticas dos países emergentes e a transição energética. Cerca de 300 participantes, incluindo representantes do setor financeiro brasileiro, altos funcionários do governo responsáveis pela coordenação da COP30, representantes de empresas líderes chinesas e diversas personalidades, estiveram presentes.

No local do evento, a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS (NDB) e ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, proferiu o discurso principal. Ela defendeu a criação de uma nova arquitetura financeira internacional focada na sustentabilidade e criticou a falta de recursos investidos na agenda climática.

Em seu discurso, Rousseff destacou o papel central que bancos públicos e multilaterais podem desempenhar no financiamento da transição ecológica e do desenvolvimento inclusivo. Diante de um "momento crítico" marcado por guerras comerciais e riscos geopolíticos, ela clamou por um "novo modelo de desenvolvimento centrado na sustentabilidade" para o Sul Global, afirmando que "os desafios são ainda maiores para os países do Sul Global".

Rousseff apontou que os principais desafios enfrentados por esses países incluem a criação de um sistema educacional inovador, a distribuição de renda e o "equilíbrio entre mercados eficientes e governos eficazes".

Nesse contexto, ela mencionou repetidamente a experiência da China em desenvolvimento sustentável, citando exemplos bem-sucedidos alcançados por meio de planejamento estratégico. Rousseff destacou que a China tem sido inovadora, especialmente nas áreas de transição energética e tecnologias para enfrentar as mudanças climáticas.

Ela afirmou que, nas últimas quatro décadas, a China reduziu os custos de energia fotovoltaica, veículos elétricos e baterias de armazenamento por meio de inovações em mudanças climáticas e transição energética. "Isso foi alcançado por meio de planejamento estratégico de longo prazo, uma governança estatal muito eficaz. A trajetória de desenvolvimento da China não foi acidental. Resultou de planejamento estratégico, políticas públicas consistentes, financiamento robusto e coordenação entre governo, setor privado e academia."

Ela ressaltou que avanços tecnológicos como veículos elétricos, redes de ultra-alta tensão, baterias de grande capacidade e energia solar estão transformando o mundo e se tornando tecnologias disruptivas.

Além disso, Rousseff afirmou que "cada país deve seguir seu próprio caminho, sem se prender ao passado", e deve contar com a cooperação do NDB para construir seu próprio "ecossistema de inovação".

Ela enfatizou a necessidade de expandir o financiamento internacional para os países do Sul Global e defendeu o maior uso de moedas locais para facilitar empréstimos e reduzir custos.

"Temos um problema de financiamento a resolver", destacou, acrescentando que plataformas como o NDB e o Banco de Desenvolvimento da China podem atender a essas demandas, mas é necessário discutir mais profundamente como fortalecer esse processo. "O uso de moedas locais pode reduzir taxas de juros e mitigar riscos cambiais. Garantimos acesso a moedas mais baratas."

Nesse sentido, Rousseff revelou que 25% da carteira do NDB já está denominada em moedas locais, com a meta de alcançar 30% em breve.

Ela sublinhou a importância da cooperação entre países em desenvolvimento. "Sem cooperação internacional, é quase impossível reduzir a lacuna tecnológica. O Sul Global precisa de suas próprias plataformas de investimento e financiamento." Rousseff destacou que a missão do NDB é financiar "infraestrutura e sustentabilidade", sempre com foco em impacto e inclusão. Ela também mencionou o apoio do banco a projetos na Índia, China, África do Sul, Rússia, Bangladesh, Egito e Uzbequistão. "Desde nossa fundação, já aprovamos mais de 120 projetos, com um investimento total de cerca de US$ 40 bilhões."

Ao encerrar, Rousseff posicionou o NDB como um ator estratégico na construção de uma nova ordem financeira internacional, centrada em transição energética, justiça social e soberania nacional, reafirmando sua confiança na capacidade do Sul Global de liderar coletivamente um novo modelo de desenvolvimento sustentável.