Observação da América Latina丨O grande golpe de 50% de tarifas dos EUA cai, o Brasil alivia internamente e explora mercados externos

02/08/2025Temas Nacionais
Observação da América Latina丨O grande golpe de 50% de tarifas dos EUA cai, o Brasil alivia internamente e explora mercados externos

O Brasil enfrenta o impacto das tarifas de 50% dos EUA: implementa medidas de alívio, explora mercados diversificados, protege as exportações agrícolas e industriais e reduz a dependência dos EUA.

Os Estados Unidos impuseram tarifas "punitivas" de até 50% sobre produtos brasileiros a partir de 6 de agosto, causando um grande impacto em várias indústrias de exportação do Brasil. Embora alguns produtos tenham sido isentos, vários setores e suas cadeias produtivas ainda sofrem os efeitos.

Diante do impacto, o governo brasileiro rapidamente implementou uma série de medidas de socorro econômico, acionou mecanismos internacionais de resolução de disputas e acelerou o processo de diversificação comercial para reduzir a dependência do mercado americano.

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Mais da metade das exportações brasileiras são afetadas por tarifas dos EUA

A partir de 6 de agosto de 2025, os EUA impuseram oficialmente tarifas "punitivas" de até 50% sobre produtos brasileiros. Embora 694 dos mais de 3.000 produtos comerciais bilaterais tenham sido isentos, 565 são peças de aeronaves e 76 são derivados de energia como petróleo, carvão e gás natural. Ou seja, produtos relacionados ao consumo diário e à indústria agrícola e manufatureira não foram poupados.

Segundo cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, esses produtos isentos representam apenas 44,6% do total das exportações brasileiras para os EUA, o que significa que cerca de 35,9% das exportações serão diretamente impactadas pela tarifa de 50%, enquanto outros 19,5% enfrentarão tarifas globais de 25% a 50%.

Os setores mais afetados estão concentrados em quatro indústrias: agricultura (tarifas aumentando de 4% para 40,8%), produtos químicos (de 2,3% para 40,1%), mineração (especialmente aço, de 0,5% para 38,7%) e máquinas e equipamentos (de 0,8% para 38,2%).

Repórteres da CCTV descobriram em várias regiões do Brasil que, no setor agrícola, café e carne bovina são os mais afetados. Em 2024, o Brasil exportou quase US$ 2 bilhões em café para os EUA, representando 34% do consumo do mercado americano. A Associação Brasileira de Exportadores de Café alertou que os consumidores americanos enfrentarão pressão de alta de preços. Em 2024, o Brasil exportou 532 mil toneladas de carne bovina para os EUA, gerando US$ 1,6 bilhão. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne estima que apenas a carne bovina sofrerá perdas de exportação de cerca de US$ 1 bilhão devido às tarifas.

Regionalmente, frutas frescas, frutos do mar e calçados do Nordeste brasileiro, que dependem fortemente do mercado americano, são severamente afetados; café e carne bovina do Centro-Oeste perderão participação de mercado devido à perda de vantagem de preço; enquanto o Sul e Sudeste, com produtos industriais de alto valor agregado (como aviação e celulose) isentos, conseguem alguma mitigação temporária.

Hugo Fonseca, vice-secretário de Economia e Inovação Tecnológica do Rio Grande do Norte, disse à CCTV que os EUA são o terceiro maior mercado de exportação do estado, com cerca de 96% dos produtos exportados para os EUA sujeitos a tarifas de 50%, e os 4% restantes mantendo tarifas de 10%. Os mais impactados são açúcar, frutos do mar e sal marinho.

Fonseca afirmou que as exportações de frutos do mar dependem muito do mercado americano, com mais de 70% dos produtos, especialmente atum, sendo vendidos para os EUA. A tarifa de 50% tornou a exportação de atum e produtos relacionados quase inviável, levando à paralisação de frotas pesqueiras locais.

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Alguns setores isentos ainda sofrem impactos indiretos

Embora os EUA tenham isentado mais de 600 produtos brasileiros das tarifas, alguns deles e suas cadeias relacionadas ainda enfrentam efeitos adversos.

Por exemplo, o suco de laranja brasileiro foi excluído da tarifa de 50%, mas o setor ainda pode sofrer perdas diretas de R$ 1,54 bilhão (cerca de 2,034 bilhões de yuans). Essa estimativa foi divulgada pela Associação Brasileira dos Exportadores de Suco Cítrico em 12 de agosto.

As perdas vêm principalmente de subprodutos do suco de laranja não isentos, como polpa de suco e óleos essenciais, que são matérias-primas importantes para bebidas de suco concentrado e cosméticos nos EUA. A associação afirmou que esses produtos, sujeitos a tarifas de 50%, tornaram-se inexportáveis.

Além disso, embora o suco de laranja em si tenha uma tarifa básica de 10%, ainda deve causar perdas de R$ 567 milhões. Simultaneamente, o preço internacional do suco de laranja está caindo, com a média de exportação para os EUA caindo de US$ 4.243 para US$ 3.387 por tonelada, uma queda de mais de 20%, o que pode gerar perdas adicionais de R$ 1,43 bilhão.

A associação alertou que a dupla pressão de tarifas e preços pode não apenas enfraquecer a competitividade da cadeia produtiva do suco de laranja brasileiro, mas também aumentar os custos para os consumidores americanos.

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Governos federal e estaduais do Brasil iniciam medidas de socorro

Diante das tarifas americanas, o governo brasileiro acionou mecanismos domésticos de socorro para estabilizar a confiança das empresas e fortalecer a resiliência do comércio exterior, sem retaliar diretamente.

Em 13 de agosto, o presidente Lula assinou um decreto para o "Plano Soberania Brasil", ajudando empresas exportadoras afetadas pelas tarifas de 50%. O decreto, que precisa de aprovação do Congresso em 4 meses para implementação permanente, inclui: crédito de R$ 30 bilhões via fundo de garantia de exportações do BNDES; R$ 4,5 bilhões adicionais para fundos de pequenas empresas; redução de impostos para manter competitividade; e compra governamental de produtos não vendidos para distribuição em escolas e hospitais.

Lula enfatizou que as sanções dos EUA carecem de legitimidade e que o Brasil buscará resolver a disputa via negociação, defendendo sua soberania.

No plano internacional, o Brasil solicitou consultas na OMC em 6 de agosto, alegando que as tarifas americanas violam regras como a cláusula de nação mais favorecida, e pediu o início de procedimentos de solução de disputas.

Governos estaduais também agiram rapidamente. São Paulo, centro econômico, anunciou em 31 de julho um pacote de R$ 1,5 bilhão em créditos de ICMS e dobrou linhas de crédito para empresas estaduais para R$ 400 milhões.

No Nordeste, o Ceará adotou uma estratégia inovadora, incluindo produtos afetados (como pescados e castanha de caju) em compras públicas para merendas escolares, refeições hospitalares e programas sociais como "Fome Zero", combinando socorro econômico com responsabilidade social.

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Brasil busca diversificação comercial para reduzir dependência dos EUA

Com vários setores severamente impactados pelas tarifas americanas, a diversificação comercial e a redução da dependência do mercado dos EUA tornaram-se consenso no governo e na opinião pública brasileira.

Após o anúncio das tarifas, Lula conversou com líderes dos BRICS, defendendo multilateralismo e rejeitando unilateralismo. Ele também planeja dialogar com a UE e líderes de Reino Unido, França e Alemanha, e visitará a Índia em 2026 para abrir novos mercados.

Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC, afirmou que a estratégia é promover acordos internacionais e divulgar produtos brasileiros, reduzindo barreiras e tarifas e conquistando novos parceiros.

Como coordenador do Rio Grande do Norte, Fonseca disse à CCTV que o estado, além de apoio fiscal e creditício, está buscando novos mercados. Atualmente, o estado exporta para 84 países, e empresas podem expandir exportações ou aumentar produtos com baixo volume. "A China é um mercado atraente; já temos licenças para exportar peixes e castanha de caju", disse. Ele acrescentou que o estado planeja abrir escritórios na Ásia e em países árabes, otimizar logística e reduzir custos, especialmente usando o porto de Natal.

O acadêmico Pires, da UNESP, disse à CCTV que o Brasil não retaliou por reconhecer sua força econômica.

Pires afirmou: "Se seu principal comprador não compra mais, você busca novos parceiros. Mas não vivemos em uma ordem internacional normal. Por exemplo, o Mercosul está perto de um acordo com a UE, mas os EUA podem criar obstáculos para impedir a importação de produtos brasileiros. O Brasil precisa de novos mercados."

Analistas acreditam que, embora o governo brasileiro esteja promovendo ativamente a diversificação comercial, será uma tarefa longa e árdua. O jornal Folha de S.Paulo destacou que a diversificação de mercados não é imediata, exigindo planejamento sistêmico em logística, financiamento, garantias de pagamento e licenças sanitárias, não apenas medidas temporárias. (Repórter: Lei Xiangping)

Fonte: CCTV News